domingo, 22 de junho de 2008

Cultura x Comércio (… ou Comércio x Cultura (?))*

Artigo escrito por Augusto "Guto" Rafael

Depois da última viagem que fizemos à Recife, voltei de lá com mais interesse pela terra (Como todos sabem, sou baba-ovo de Recife sim!). A catinga não foi motivo para desgostar da cidade que me atrai pelas músicas e cultura. Num tour de ônibus (Um coletivo normal. Não o fretado pela faculdade), saímos eu e Marcelo do centro da cidade, que se localiza no Recife Antigo, até Boa Viagem, bairro de elite. No caminho fui constatando a quantidade de shows que a cidade armazena através de cartazes colados em paredes e muros, e alguns outdoors. O que estranhei é que a maioria dos shows eram de bandas de Forró Eletrônico de bandas tipo as que temos aqui. Poucos foram os anúncios de bandas de Manguebeat - estilo musical criado em Recife nos anos 90 e que mais me atrai a cidade. Nem o show do Marcelo D2, o rapper nacional mais Pop da atualidade, que ia acontecer se não me engano na Sexta-Feira ou no Sábado da época (informação de um conhecido meu que reside lá) não foi tão divulgado através de qualquer mídia impressa.

Outro fato que estranhei é que o Recife Antigo, bairro-boêmio de Recife, que tem tradicionalidade quanto a música e festas, não estava com este cartaz todo (Acho que pode ser por questão de segurança. Não sei!). O bairro está perdendo espaço para outro bairro da cidade: Boa Viagem, que através de suas boates e luxos estão angariando toda uma massa recifense que se vê mais consumista.

O site Overmundo escreveu um artigo sobre tal assunto que vale a pena conferir: http://www.overmundo.com.br/overblog/a-nova-decadencia-da-cultura-pernambucana

Diferente de Recife, Fortaleza parece vir prezando (pelo um pouco mais) a sua própria cultura. Claro! Ainda há aqueles que, usando de suas próprias palavras, só querem putaria. Não importa quão burra for a diversão-putaria de tantos valdevinos frívolos. Porém, os poucos defensores da cultura cearense já deixam de ser só aqueles interioranos brabos do sertão e outros tantos universitários que prezam por sua terra. A questão da defesa da cearensidade está a tomar a simpatia de um juri maior e mais popular. Um público que faz questão de conhecer a região do Cariri, que dança ciranda no Mercado dos Pinhões ao som da banda Dona Zefinha, que já leu algum cordel ou Patativa do Assaré. Um júri de fronte a um palco que está a modificar-se com os costumes da terra com um vocabulário bastante carregado no cearês. Justo que é uma minoria ainda, mas é uma minoria bastante gradativa.

A questão deste artigo é, em comparação as duas cidades: Recife está virando Fortaleza e Fortaleza está a virar Recife?

*Artigo retirado do Blog Potó quer ser publicitário, da FCC - Faculdade Católica do Ceará:
http://potopublicitario.wordpress.com/

2 comentários:

Déo "Neguinho Atento" disse...

Caro Ozafiro Oteu,

Tive o privilégio de passar 1 mês na capital pernambucana em 1998 (1 ano após a morte de Chico Science) e pude, por pouco tempo, respirar um Recife "dos seus sonhos", ou seja, bombando culturalmente. Fui em shows diversos. Não sabia qual escolher. eram muitas opções de peso: Mestre Ambrósio, Eddie, Mundo Livre, uma banda chamada MANGUESAT, Jorge cabeleira, fora alguns bares tradicionais do manguebit, como o bar do rogê (Cade roge, cade roge, cade rogê, ô...). Pelo que soube as coisas não tão bem assim mais não. A cultura tradicional voltou pra periferia, pois ela havia chegado à classe-média roqueira graças à Nação, Mundo Livre, etc etc...
Não sei se Fortaleza tá assim não.
Na era da informação alternativa (via mp3 e downloads) a musica alternativa ganha espaço, mas não tem mídia forte. É diluída.
Em termos mainstream, o Brasil atravessa a pior crise cultural da história (hei de publicar uma série de posts no meu blog sobre o assunto).

é isso, Ozafa...

é nóis!!!

Anônimo disse...

Caro Agenor, falei que a cidade de Fortaleza está a mudar sua forma de pensar culturalmente pelo fato de está apresentando projetos de integração social para a arte e cultura como anda acontecendo no Bom Jardim e nos futuros CUCAs (ler comentário no Potó quer ser publicitário) que estão angariando mais público para esse tipo de entretenimento que não se vê evasivo como tantos outros que "comandam" a cidade.

Abç, meu nobre!
Guto