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domingo, 30 de dezembro de 2012

Sinhá Senhora

por Guto Rafael

Sinhá? Senhora?
Que há? Agora.
Desculpe a demora,
mas lá fora me prendeu.

A vida sofrida chora
pela esmola que não tinha pra dar.
Sinhá,
acabei de passar pela cora
de ver o que o mundo tinha pra falar.
Senhora!

Desculpe essa má hora,
mas tudo isso me apavora,
pois não há
um jeito de ir embora.
O que tem lá fora me rendeu.


A vida sofrida chora
pela esmola que não tinha pra dar.
Sinhá,
acabei de passar pela cora
de ver o que o mundo tinha pra falar.
Sinhá? Senhora?

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Cidade Suor

por Guto Rafael

32 grau.
Fortaleza marginal.
A muralha de concreto
não faz sombra no quintal.
Ninguém paga pau
se você passa direto,
se você não tem um nome
que carrega desde o feto.
Lhe tiram do seu teto
com poder autoritário
beneficiando o
mercado imobiliário.
Se afogue no aquário.
Aqui o sal virou cimento.
Aterraram o ecossistema
por um estacionamento.
No total discernimento
da atual condição.
Humilhado no suor,
imprensa na lotação.
Sempre tem uma solução
pro lado que é mais fraco.
Pro lado que é mais rico,
não tem caviar barato.
Esse é o relato
de quem acordou com sede.
De quem pagou o pato
pelo pedaço do verde.
De quem caiu da rede
ao cair no desespero
por ver Iracema
se vender pelo dinheiro.
Cidade suor. Cidade do calor.
Cidade que respeita só quem é doutor.
Vista à beira-mar.
Lucro pra ostentação.
Essa é a lei
da capitalização.
Desapropriação
de toda comunidade.
Sempre tem quem alegue
ilegalidade.
O grau é uma arte.
A vida é um teste.
Cair sempre faz parte,
só não pro lado leste.

A praga que infeste
mostra seu real valor.
Vivendo sem escrúpulo,
vivendo de flozô.
Na cidade do calor
onde o pau come ligeiro,
de cara pro muro,
só para pirangueiro.
Se não tem dinheiro,
não faz parte do esquema
Essa é a cartilha,
é o conceito do sistema.
É a nobreza do seu lema
para o mal ou para o mal.
Te fazem acreditar
que a verdade é o canal.
Lavagem cerebral.
Falso vira verdadeiro.
Hiperfaturam Fortaleza
pra faturar primeiro.
Cidade suor. Cidade do calor.
Cidade que respeita só quem é doutor.
Tua hora tá chegando.
Pode passar os pano.
Na conversa, vão levando.
Pode passar os pano.
Cidade Suor, cidade do calor.
Cidade que respeita só quem é doutor.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Rio

por Guto Rafael

Quando a saudade chegar
e o rio fechar,
vai sangrar Fortaleza.
Quando o rio fechar
e só sobrar choro e tristeza,
o mar vai secar.

Quando o mar secar,
vai sangrar Fortaleza,
mas não sangra a represa.
Só lamento o teu sepultar.

Não tem água no pote
que bote uma gota no chão.

Não tem rio, nem rio
da inconsciência da população .

É fato concreto.
Cimento e concreto contra vegetação.

Não mangue que o mangue
não é uma besteira nem aquisição.

Cocó não é cocô.
Por favor, não enterre quem não morreu.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Maresia (Mar e a linha)

por Guto Rafael

Sopro que vem lá da praia
soprando gelado
em quem tá na beira.

Sopro que chega do fundo
soprando com tudo
vento com poeira.

Maresia, maresia.
Ô, marola!
Maresia.

Sopro que salga o cabelo
e brisa na pele
da menina faceira.

Sopro traz essa menina
que eu quero essa linda
pra vida inteira.

Maresia, maresia.
Ô, marola!
Maresia.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Vamô crowdiar tudo!

Faça aquilo que lhe der na telha! Não, não estou fazendo apologia ao anarquismo ou qualquer outro –ismo que você tenha em mente. Estou falando de um modelo de produção independente que chegou pra atender demandas específicas: as suas. Essa é a ideia do crowdsourcing. Provavelmente você já deve ter ouvido falar alguma coisa sobre isso ultimamente, e não, isso não mais a mais nova rede social da moda.

Crowdsourcing é um sistema de produção de conteúdo que atinge uma demanda de um determinado público pra resolver qualquer problema ou até mesmo desenvolver soluções viáveis pra todo mundo. É uma ferramenta de muito valor pra quem não quer ficar esperando dormindo por alguma coisa que é do seu interesse, como um show, um filme, uma revista em quadrinhos etc.

Ainda não entendeu? Belezinha! Vou citar aqui alguns exemplos (e o 1º foi quem me incitou a escrever sobre isso). Cidadão Instigado é uma banda cearense que já tem 18 anos de estrada; 1 EP e 3 CDs na bagagem; e agora estão pra lançar o 4º, mas isso só depende da gente. Vou explicar melhor: pra lançar o 4º álbum, a banda adotou o crowdsourcing como projeto de captação para a produção do disquinho. Junto com o site Sibite, os caras disponibilizaram pacotes de investimento para esse projeto com valores já definidos onde cada pacote tem sempre uma contrapartida diferente para os investidores. O projeto começou a rodar no último dia 9 de setembro e vai até 8 de março do ano que vem. (É! Tem prazo de validade. :/). Quem quiser conferir e participar dessa basta clicar aqui.


Outro exemplo, e um dos mais conhecidos do país, é o Queremos, um site que vende exclusivamente ingressos para shows. Mas calma lá! Não é qualquer show, é o show que você quer... Ok! Todo show que você vai é porque você quer. Porém, o Queremos ele traz aquelas
bandas gringas que dificilmente dão as caras por aqui. A ideia é a seguinte: eles contratam a banda, fecham com a casa de show, aluguel de equipamento de som, de luz etc. e quem ajuda a bancar tudo é você, amigo. Você e mais uma cambada de outros amigos. E assim como o 4º álbum da Cidadão Instigado, você tem tempo cronometrado pra que os ingressos se esgotem e você possa curtir. Se nem todos os pacotes não forem vendidos, não precisa se preocupar com seu rico dinheirinho. Os organizadores devolvem sua grana direto pra sua conta bancária.

Agora vou dar um exemplo #fail de uma galera que podia ter usado o crowdsourcing pra conseguir o que queria. Vários amigos meus do Facebook começaram a participar de um evento criado na rede social chamado The Strokes em Fortaleza. O evento encerra hoje às 20h e contou com a confirmação de 8.441 usuários do site. Ok! Todo mundo sabe que nesses eventos não dão metade do povo que clica no “Eu vou”. Mas, amigo... mais de 8 mil pessoas e um show do The Strokes? Lógico que através do crowdsourcing essa meta seria batida fácil! Quem sabe na próxima, né?


Agora que você já sabe como conseguir as coisas, não tem mais desculpa de ficar esperando pelos outros.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Desleixo

por Guto Rafael

Respira o sol e me sopra mormaço.
Eu deixo. Se tu quiser... eu deixo.
Um sorriso, um afago, um beijo,
um quero-quero que canta,
uma mordiscada no queixo.
O meu desejo... por ti, mulher.

Desleixo.

A louça, a roupa pra lavar.
Nem mexo. Me leva até onde der.
Eu deixo.
Até o fim do juízo, lugar vago,
teu beijo.
Um quero-quero que canta,
uma mordiscada no queixo.
O meu desejo... por ti, mulher.

Desleixo.
Deixa tudo pra amanhã
que amanhã a gente entra nos eixo.
Deixa tudo pra amanhã
que hoje... hoje é só...
desleixo.

TONHO CROCCO É VÍTIMA DE CENSURA

::txt::Tonho Crocco::

Eu, Antonio Carlos Crocco, nome artístico Tonho Crocco, Brasileiro e morador da cidade de Porto Alegre/RS estou sendo processado por intermédio de uma ação no Ministério Público encaminhada em nome do ex-presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul e atual Deputado Federal do PDT GIOVANI CHERINI por crimes contra a HONRA. A audiência preliminar acontece no dia 22 de agosto de 2011, segunda-feira às 15h no Foro Central de Porto Alegre/RS.

Explicando a situação:

No dia 21 de dezembro de 2010, 36 deputados estaduais votaram a favor do aumento de 73% de seus próprios salários. O substituto do Projeto de Lei 352/2010, elevou o salário dos parlamentares de R$ 11.564,76 para R$ 20.042,34. Em menos de 24h consegui compor e gravar o vídeo protesto "Gangue de Matriz" que já recebeu mais de 37 mil visualizações no Youtube e está a disposição para download no meu site.




A assembléia, representada na época pelo Deputado GIOVANI CHERINI encaminhou ao Ministério Público representação de ilicitude, pedindo providências, na qual fui intimado e indiciado por CRIMES CONTRA A HONRA. O artigo 138, 139 e 140 do código penal prevê pena de 1 mês a 2 anos de detenção.

Não seria esta ação uma forma de censura à liberdade de expressão? Não estaria o excelentíssimo Deputado ou a quem ele representou agindo de forma truculenta? Estaríamos retrocedendo aos tempos da ditadura? Será mesmo que estamos numa democracia?

Meu verdadeiro temor é que se abra um precedente coibindo as manifestação políticas; principalmente aquelas que usam de vias pacíficas e da ARTE como forma de expressão.
Gostaria de contar com o apoio e mobilização dos que concordam com esta filosofia. Não apenas a classe artística e sim de todas pessoas que compartilham esta visão.

Repasse e divulgue este manifesto. Envie sua mensagem para contato@tonhocrocco.com ou pelo meu twitter que divulgaremos no site e em todas as redes sociais.

domingo, 31 de julho de 2011

Brasil, o país da Indústria Multicultural

por Guto Rafael



Assim como muitos brasileiros, ontem também me postei na frente da TV, pra conferir o sorteio dos grupos das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, que aconteceu no Rio de Janeiro.

Pois bem, o que era pra ser mais uma apresentação das seleções que estarão na próxima Copa, virou show. Os anfitriões, Fernanda Lima e Tadeu Schmidt, não cansaram de enfatizar o quanto o Brasil é um país étnico e multicultural. Mais parecia um discurso decorado, porém cheio de verdade.

O Brasil é uma miscelânea racial. No mesmo sangue correm ascendências indígenas, africanas, europeias... o que nos torna um povo único, feliz, forte e que, mesmo já sendo um clichê, não desiste nunca.

Não vou negar que somos patriotas principalmente quando o assunto é a seleção canarinho, que ainda temos esperança nela (não no técnico, só nela), e que uma Copa do Mundo aqui é a glória para um povo que gosta de comemorar muito.

Gosta tanto que o evento de ontem virou festa. Entre os discursos do Presidente da FIFA, Joseph Blatter, e da Presidenta da República, Dilma Roussef, e um sorteio e outro, algumas atrações musicais ganharam o palco representando a brasilidade da nossa música. (Será?)

Ivete Sangalo, Ana Carolina, Ivan Lins e uma homenagem forçadíííssima à Tom Jombim, com o seu filho, Daniel Jobim, relembrando uma época em que se fazia Bossa Nova só pra gringo aplaudir.

Essas são as referências musicais de nossa cultura? Então onde se encaixa o maracatu de baque solto e de baque virado pernambucano? E a toada que resgata o folclore da Amazônia? Ou o samba de raiz das velhas guardas carioca?

Desde quando nossa cultura virou produto feito só pra entreter?

Estão rotulando nossa identidade em qualquer porcaria e o povo aceita porque, pelas leis da ignorância popular, "o que aparece é bom, o que é bom aparece" (A Sociedade do Espetáculo; Guy Debord).

Aparecer na televisão fazendo todo mundo sacudir e abalar não é sinônimo de cultura popular brasileira.

E enquanto tantos se transformam em tapados sociais rendidos ao imperialismo e aos estrangeirismos da Indústria Cultural, não é só o nosso samba que estão deixando morrer. É também o maracatu, a toada, o forró pé-de-serra, o movimento cabaçal...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Você com um twitter na mão é um bicho feroz!

Artigo escrito por @gutorafael.

Em tempos de redes sociais, twitter na mão de gente sem fundamento é tão perigoso quanto um automóvel na mão de um motorista embriagado.

Ok! Exagerei, mas tenho meus motivos. Entre uma rede social e outra, uma amiga postou em seu facebook algo que me chamou a atenção.No caso uma reportagem do portal UOl onde a atriz Antônia Fontenelle (@ladyfontenelle), mulher do diretor Marcos Paulo, rebate uma crítica feita sobre o mais novo filme de seu marido, Assalto ao Banco Central, escrita pelo jornalista do portal Cinema em Cena (@cinemaemcena), Pablo Villaça.

Na dura, via twitter, a atriz rebateu a crítica chamando o jornalista de desorientado e que, pasmem, tem cara de cearense. o.0 #WTF


Quem quiser conferir a reportagem é só clicar aqui.

Picuinhas à parte, esse é só mais um exemplo de como o twitter nas mãos de gente despreparada pode acabar gerando guerras. Tá, me exaltei de novo. Mas convenhamos que casos como esses têm se tornado frequentes nas redes sociais. Trimestralmente, sempre aparece um que, no calor da emoção, acaba não medindo as palavras e acaba arcando com as consequências delas.

Só recapitulando: Amigo, racismo é crime! É crime até na internet. Meça suas palavras ou daqui a pouco, pra alguém conseguir uma conta no twitter, vai precisar fazer vestibular. Vestibular de boa educação e bom senso.

Todo homem devia ter um 3º ovo


“Você não tem colhões”. Muitos já devem ter ouvido isso e encarado como uma afronta a sua masculinidade. É um tapa na cara, ou melhor, no saco. Temos nossa coragem avaliada pelas genitálias. Pior são aqueles que resolvem demonstrar o quanto são sacudos e acabam castrados, com as bolas nas mãos, literalmente.

Mas não vim aqui fazer trocadilhos infames porque ninguém tem mais saco pra isso (Desculpe! Esse foi o último). Vim aqui pra falar que sou adepto a ideia de que todo homem deveria ter um 3º ovo. (Sim, um3º ovo). Só assim conseguiríamos dar cabo dessa fama de covarde que mais parece um RG moral . “Eu não preciso ter a coragem estampada no rosto, amigo. Eu tenho 3 ovos e isso basta!”.

Um 3º ovo implantado seria uma coragem embutida, por mais que seja só disfarce e que você trema de frente a um calibre 38. Você pararia, encararia, serraria os olhos e diria firmemente - Eu tenho um 3º ovo! – Pronto! É a salvação. É só falar com convicção que o ladrão faz carreira.

Se não, acontece. Vai ver o meliante tinha mais de 3 ovos na cestinha.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Beleza Cega

artigo escrito por Guto Rafael

Nem bem foi divulgada a lista de candidatos que concorrem à presidência e o bafafá começou antes mesmo de alguns partidos escolherem os seus. Por conta da grande “povoação” nas mídias sociais hoje em dia, os políticos também resolveram usar da ferramenta, o que acabou gerando conflitos e contradições entre os partidos e os concorrentes. Em apenas sete meses, tanto a candidata Dilma Rousseff quanto o atual Presidente Lula foram multados por propaganda antecipada. Outro que sofreu as consequências foi o vice de José Serra, Índio da Costa por propagar pelo microblog, Twitter o que pode vir a ser uma “boca de urna virtual”.

Mas tal fato já era de se esperar. Se não fossem os candidatos, seriam simpatizantes de cada. O que isso vem a mostrar é que o uso dessas mídias vem crescendo gradualmente para com fins publicitários. Por se tratar de uma ferramenta onde muitos usufruem com a finalidade de se informar e de se relacionar, e sendo umas ferramentas que não se fazem privadas, é um dos caminhos mais usados pelo mercado publicitário.

Contudo, não vim aqui com mais um comentário sobre as mídias sociais. Puxei esse assunto por estarem tratando tanto do fato de multas por propagação prematura de campanhas políticas ultimamente. Não! Esse artigo é para falar da “beleza” enganadora que cercam os candidatos e suas propostas. Deixar se cegar por essa radiante propaganda é não enxergar o bom senso. Em época de campanhas eleitorais, todos prometem e falam bonito, mas quanto mais perto do primeiro domingo de outubro, nossos candidatos começam a ladrarem e a darem mordidas uns aos outros. O que o povo mais precisa agora não é de um candidato que tenha enfeites no uso das palavras ou que beije bochechas meladas de crianças. O que o povo mais precisa é de consciência, já que a esperança deu seu último grito foi com um “Impeachment” - resquício de um “Diretas já!” de 1983-84 - em um já quase esquecido 1992, onde muitos lutavam por seus direitos. Muito longe da realidade de hoje onde vemos muitos de nossos representantes serem corruptivos publicamente e ninguém toma atitude alguma. Hoje a acomodação e o medo da violência de um movimento civil prendem os brasileiros em suas cadeiras, mas saibam que o voto tem o poder pra erguer um mundo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Heroísmo Imaginário Induzido

artigo escrito por Guto Rafael

Depois de 4 anos vamos ter que esperar mais 4 anos. O hexa não veio dessa vez. Perdemos a batalha e nossos “heróis” voltam derrotados. Nossa “liga canarinho” fora derrotada. Achei que íamos ganhar esse ano e que nossa seleção seria um time que ganha Copa-sim, Copa-não. Mas ela não é! Cabe esperar sucessores mais “poderosos” para que conquistemos a vitória. Mas por que damos tanta ênfase ao futebol? Simples! Futebol é a única coisa no mundo todo em que somos bons – temos o Rei, o único 5 vezes campeão, vários jogadores foram os melhores, história de tristezas e penúria transformadas em glória (esses fatos vendáveis) etc. – e para não ficarmos com um mísero papel minguado de país subdesenvolvido, necessitamos a todo custo manter esse título. Enquanto muitos países se destacam através de seu sistema econômico, das artes, das novas tecnologias, de suas belezas naturais; nós nos destacamos através de artes que fazemos com os pés.

Agora cito Francisco de Assis França, já conhecido (e saudoso) Chico Science, quando disse “Computadores fazem arte. Artistas fazem dinheiro”. Frase que mais se adequada a esse artigo que vos escrevo. Se nossos jogadores são artistas capazes de fazer obras mais belíssimas dentro de um campo de futebol (no caso, o drible desconcertante e bonitos gols), seus trabalhos não são mais produtos de um futebol-arte, e sim de futebol-negócio. Já o tempo que se jogava futebol pra levar o time à vitória e a taça pra casa. Hoje, se joga futebol única e exclusivamente pelo ca$h, pela bufunfá. Mas a culpa é dos nossos “heróis”? Não! A culpa é de quem enche o espírito dos homens com tanta ganância. Eles não têm juízo de uma sapiência sobre negócio. Negócio para eles é jogar futebol.

Nos resta agora aguardar mais 4 anos para que a próxima geração de “salvadores da Pátria” conquiste manter o Brasil no padrão de país subdesenvolvido que se vangloria de ser um país de “heróis” que não pensam em usar camisinha quando vão pra cama com as amantes, que posam ao lado de traficantes com armas na mão, que cometem assassinatos estúpida e friamente. São esses nossos “heróis imaginários” que tanto espelham a nação. São esses nossos “heróis” que pensam com os pés.

sábado, 30 de agosto de 2008

Traça_02: Macunaíma - Mario de Andrade

Se teu moleque algum dia vier pra ti com uns argumentos industrializados de "- Pai, lê uma história pra dormir?", não negue esse pedido embreado de futilidades copiada porque ele viu na televisão e pareceu algo de bom fundamento. E na real, é. Só que ao invés de você ler histórias futéis como Branca de Neve ou Cinderela, leia Macunaíma.

Grande obra de Mario de Andrade, este que fôra um dos grandes nomes da Semana de Arte Moderna de 1922, escrita em uma semana (contudo, o autor já havia estudado tudo que se relacionava ao que a história aborda). Relata a história de um índio (Macunaíma) que descendia da tribo dos Tapanhumas e que já, desde pequeno, se mostrava esperto, mas ao mesmo tempo preguiçoso e que começa a explorar o Brasil e suas culturas e crenças.

Quem assistiu o filme com o saudoso Grande Othelo como protagonista sabe que o conto é bom e que não se pode ficar sem dar uma risada.

Se você assistiu o filme, isso é bom. Mas se não, leia primeiramente o livro e tenha sua própria visão deste clássico. Você não vai se arrepender!

P.S.: Deêm valor ao que é nosso. Não se deixem levar por estrangeirismos!

Ficha Técnica:
MACUNAÍMA - O Héroi Sem Nenhum Caráter
Autor: ANDRADE, Mario de
Editora: Villa Rica Editora
Assunto: Literatura Brasileira - Romance

domingo, 24 de agosto de 2008

A Coruja e o Cassacu

por Guto Rafael

A noite chega rastêra,
cheia de sombra nos mato.
Coruja chega facêra
de ôio no véi cassacu.

Mas cassacu sabido
só sai da toca ligado.
Coruja só dá perdido.
Quando viu, já tá no buraco.

Prestando muita atenção
pra vê se pega um abestado.
A coruja com frivião,
peleja, mas só dá errado.

E eu bato uma aposta,
que no fim do tocado,
a coruja fica na bosta
e o cassacu é coroado.

Coruja que quase acerta
não aprende com o errado.
Já outra vez, tá na merda,
mas não desiste do prato.

E é nesse pega num pega
que se dá esse contado.
Até hoje a coruja se aprega
no rastro desse cassacu.

sábado, 16 de agosto de 2008

Inez

por A Lenda

Inez Sanidade,
tô morrendo de saudade do teu quero bem.
Do teu quero bem...

Parafuso que se solta
não dá pra apertar.
Não dá pra apertar. Não dá pra apertar.

O juízo que não volta
se perde no ar.
Se perde no ar. Se perde no ar.

Inez Sanidade,
tô morrendo de saudade do teu quero bem.
Do teu quero bem...

A camisa que me envolta
só faz me coçar.
Só faz me coçar. Só faz me coçar.

O doutor que me molda
só vai se cansar.
Só vai se cansar. Só vai se cansar.

Inez Sanidade,
tô morrendo de saudade do teu quero bem.
Do teu quero bem...

Quando bate a revolta
eu quero cantar.
Eu quero cantar. Eu quero cantar.

E não vai ter escolta
pra me segurar.
Pra me segurar. Pra me segurar

Inez Sanidade,
tô morrendo de saudade do teu quero bem.
Do teu quero bem...

sábado, 2 de agosto de 2008

Para um Rei, sem festejos...

Hoje completa-se 19 anos que Luiz Gonzaga não algazarra por aqui com suas letras e músicas tão capciosas como preciosas e maestrais que o garantiram de ser o Rei do Baião. Este pernambucano, natural de Exu, município localizado no sopé da Serra do Araripe, faleceu em 02 de Agosto de 1989, já debilitado pela pneumonia. Grande musico e um dos responsáveis pela implementação da música nordestina e suas raízes ao cotidiano da nação, Luiz Gonzaga até hoje é visto como referência não só por artistas de seu mesmo estilo, mas também por outros que seguem outras tendências.

Contudo o que me intriga é o fato de tão grandessíssimo artista não ter tido, este ano, uma homenagem a sua altura. Para a lembrança não ficar vaga; acabando no vazio, apenas uma missa será realizada para este durante esta data. O que me mata de vergonha, pois aqueles que fizeram tanto que apareceram, conquistaram seu lugar tanto que angariaram seu real valor, acabam assim, no esquecimento. Vejo que hoje a memória de Luiz Gonzaga está sendo apagada por Forrós Eletrônicos, Technobregas, Swingueiras e Micaretas em geral.

Tenho orgulho de ser brasileiro, mas às vezes o povo me mata de vergonha por não darem valor ao que vem a ser de nossa cultura para com nossos valores e despreza tais conceitos para só curtir festas, encher a cara sem noção alguma, contar quantas meninas beijou numa noite e fuder sem camisinha. Isso pra mim não é coisa de garotão nem de pegador geral.É coisa de babaca! É coisa de Zé Ruela!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Experimentar o experimental… (não é para todos!!!)*

Artigo escrito por Augusto "Guto" Rafael

No último Sábado, dia 19/07, fui ao Centro Cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro - o antigo Cine São Luiz - com o intuito de conferir o longa Praia do Futuro onde foram apresentado como uma junção de 17 curtas sobre a temática. Logo nas primeiras amostras do filme notei que os cineastas queriam passar uma visão diferenciada da Praia do Futuro; uma visão experimental de como fazer cinema.

Só quiseram porque de experimental não tinha nada. Não assisti a todos os curtas porque estavam mesmo muito ruins.Os diretores quiseram inovar e difundir uma idéia de “Cinema Novo” - fazendo apologia ao que já fez Glauber Rocha talvez - transformando a película em um experimentalismo, mas só conseguiram atingir o pico de experimerdalismo. Fôra proposta umas idéias viajantes para a construção dos curtas, mas nem todo mundo é capaz de tal proeza. Nem todo mundo é capaz de fazer experimentações e/ ou inovações. Não assisti ao filme todo porque de tortura já basta a vida. Sai antes do final da amostra. Fiquei pela Praça do Ferreira afim de assistir o show da banda Cidadão Instigado. Em tal espera acabei me encontrando com o professor Ricardo Salmito que foi mais corajoso e tolerante do que minha pessoa para assistir o filme. Em uma troca de idéias rápida, ele me disse que também não tinha gostado muito; que nem todo mundo é capaz de fazer algo experimental. Concordo plenamente! Para a construção de algo experimental é necessário um estudo e um conhecimento aprofundado (quase que antropológico) sobre o material que se pretende fazer. Pelo menos a banda Cidadão Instigado iria tocar de graça.

Mas o que mais me aflige é o fato de que nós, o povo cearense, somos pessoas bastante criativas e capazes de fazer e/ ou criar um experimentalismo que tenha conteúdo e um conceito que possa ser entendido e suprido pelas massas. Porém, aqueles que soam como os mais capazes não têm a mínima condição de expor suas idéias para o público. Cabe tal função para os “filhinhos de papai” arremeterem, pois estes são os que tem condições e paitrocínios para bancar suas brincadeiras de Cinemas Novos ou Tropicalismos ou Dadaísmos.

O que faltam de incentivos e patrocínios para os mais capazes, sobra de lama para os metidos.

*Este artigo foi retirado do blog Potó quer ser publicitário
http://potopublicitario.wordpress.com/

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Zôto

por Guto Rafael/ Davi Farias
Vou chamar meu fí de Zôto
porque mangar dos ôto é fêi.

O bichim vai ser escroto.
Vai ser fresquim que só.
Vai arengar com o povo todo
de Fortaleza à Maceió.

Vou chamar meu fí de Zôto
porque mangar dos 
ôto é fêi.
Já mangou do leão,
que dá floresta é o rei,
que não rugiu por educação
porque mangar dos ôto é 
fêi.
Vou chamar meu fí de Zôto
porque mangar dos 
ôto é fêi.
Mas ninguém manga do menino.
Tá falado! Aqui é lei.
Nem fala grosso ou fala fino
porque mangar dus ôto é 
fêi.
Vou chamar meu fí de Zôto
porque mangar dos ôto é 
fêi.
E na tua cara dá arroto
dá as costas e diz: peidei!
Por isso vou chamar meu fí de Zoto
porque mangar dos ôto é 
fêi.
Vou chamar meu fí de Zôto
porque mangar dos ôto é 
fêi.

Seu Manel (Anote a Caderneta)

por Guto Rafael/ A Lenda

Seu Manel pegue a caneta.
Anote a caderneta.

Seu Manel me dê um bombom
na conta da mainha.
O bombom que eu tô querendo
é o bombom Maluquinha.

Seu Manel pegue a caneta.
Anote a caderneta.

Aproveite e bote aí...
Seu Manel me dê um Croc.
Também vou sair daqui
com cinco chiclete Ploc.

Seu Manel pegue a caneta.
Anote a caderneta.

Isso eu levo nos bolso.
Quero dez Piper na mão.
E na outra vou levando
uma bolacha de limão.

Seu Manel pegue a caneta.
Anote a caderneta.

Pra fechar o pedido,
me dê uma Mirinda.
Minha mãe mandou falar
que acerta nessa quinta.

Seu Manel pegue a caneta.
Anote a caderneta.